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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Energia Eólica: um novo capítulo na história econômica de Sergipe?

 Maurício Cajazeira


 
A matriz energética mundial, no caso de países industrializados é composta por 13% de fontes renováveis e nos países em desenvolvimento esse percentual cai para 6%. A matriz energética brasileira é a mais renovável do mundo industrializado onde 45,3% de tudo que é produzido tem origem em fontes como biomassa, recursos hídricos e etanol, além de energias solar e eólica. Além disso, mais de 75% da eletricidade do país é gerada por usinas hidrelétricas. Nesse contexto, o Brasil é o país da América Latina e Caribe com maior capacidade de produção de energia eólica, de acordo com “Atlas Eólico Nacional” (divulgado em 2011). Segundo a Empresa de Pesquisa Energética – EPE, o Brasil tem potencial de energia eólica de 143 GW e atualmente sua capacidade instalada corresponde a menos de 1% deste potencial, com vários Estados que possuem empreendimentos ainda sendo instalados. Estados e municípios que apresentam empreendimentos (instalados ou em processo de instalação) de geração de energia eólica:
  • Bahia - Caetité; Igapará; Sobradinho; Santa Sé; Morro do Chapéu; Ourolândia; Pindaí.
  • Ceará - Beberibe; São Gonçalo do Amarante; Aracati; Trairi; Amontada.
  • Espírito Santo – Linhares.
  • Minas Gerais – Gouveia.
  • Paraíba - Mataraca; Alhandra; Pitimbu.
  • Paraná - Palmas; Castro.
  • Piauí - Luís Correia; Parnaíba; Cajueiro da Praia.
  • Rio Grande do Norte - Touros; Rio do Fogo; Ceará-Mirim; João Camara; Guamaré; Galinhos; Porto do Mangue; Areia Branca; Macau; Pendências; Porto Redondo; Santana do Mato; Lagoa Nova; Bodó; São Bento do Norte.
  • Rio Grande do Sul - Osório; Palmares do Sul; Tramandaí; Cidreira; Mostardas; São José dos Ausentes; São José do Norte; Rio Grande; Santa Vitória do Palmar; Chuí; Giruá; Santana.
  • Santa Catarina - Água Doce; Bom Jardim da Serra.
  • Sergipe - Barra dos Coqueiros.
      Fonte: www.mma.gov.br/publicação164, (2009).

O Estado de Sergipe terá sua matriz energética ampliada com a instalação de um parque eólico no município de Barra dos Coqueiros. O Governo do Estado apoiou a iniciativa através do Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI) com a concessão de incentivo locacional. No município o empreendimento fica numa área de 300 hectares disponibilizada através de cessão por meio de uma parceria entre a SEDETEC (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia e do Turismo) e da CODISE (Companhia de Desenvolvimento Industrial e de Recursos Minerais de Sergipe). Esta iniciativa habilita o Estado de Sergipe também como produtor de energia eólica, além de sinalizar uma importante contribuição para o desenvolvimento e para a economia, através dos royalties repassados. O parque eólico de Barra dos Coqueiros terá 15 torres de 145 metros.

A responsabilidade da obra caberá a Energen, que tem 90% de seu controle acionário controlado pela Desenvix Energias Renováveis S.A. que atua em várias regiões do Brasil e tem experiência em matrizes energéticas renováveis, como PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), usinas termoelétricas movidas à biomassa e usinas hidrelétricas, além de parques eólicos. A implantação foi viabilizada através de um empréstimo junto ao banco chinês de desenvolvimento, o Development Bank Corporation.  A UEE (Usina de Energia Eólica) Barra dos Coqueiros já comercializou sua energia no primeiro leilão exclusivo de energia eólica do Brasil. Foram vendidos no total, 10,0 MW médios de energia para a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica - CCEE que irá contratar esta energia como reserva por um prazo de 20 anos.

O parque eólico de Barra dos Coqueiros encontra-se atualmente com os 23 aerogeradores já instalados conforme planejamento, aguardando apenas o final do serviço de comissionamento. O início da operação comercial, de acordo com o cronograma que estava previsto para o mês de julho/2012 ainda não ocorreu, mas, pelo andamento das obras, está prestes a acontecer e deverá produzir energia eólica suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes.

A justificativa de instalação e operação de um parque eólico é de que a energia eólica é inesgotável e não provoca danos ambientais por ser gerada mediante um processo de transformação da energia cinética das massas de ar em energia elétrica ou mecânica. Entretanto, na prática, devem ser considerados os possíveis impactos negativos gerados, bem como, os benefícios sociais reais a serem trazidos com o empreendimento (impostos, emprego, renda, desenvolvimento, etc.). Os impactos ambientais de parques eólicos podem ser classificados em:
  • Aves – em fazendas eólicas ocorrem mortalidade de aves por impacto com as pás das turbinas (acredita-se que os animais não conseguem enxergá-las, quando estão em movimento);
  • Ruído – as turbinas de grande porte geram ruído audível significativo, de forma que existe regulamentação relativa à sua instalação na vizinhança de áreas residenciais. Entretanto, nas turbinas mais modernas o nível de barulho tem sido reduzido;
  • Uso da terra – as turbinas devem estar suficientemente distanciadas entre si para evitar a perturbação causada no escoamento do vento entre uma unidade a outra. Estes espaçamentos devem ser no mínimo de 5 a 10 vezes a altura da torre;
  • Impactos visuais – as pás das turbinas produzem sombras e/ou reflexos móveis que são indesejáveis nas áreas residenciais. Este problema é mais evidente em pontos de latitudes elevadas, onde o sol tem posição mais baixa no céu. Dentre outros parâmetros que se podem relacionar são: o tamanho da turbina, seu design, números de pás, cor e números de turbinas em uma fazenda eólica;
  • Interferência eletromagnética – esta acontece quando a turbina eólica é instalada. As pás das turbinas podem refletir parte da radiação eletromagnética em uma direção, tal que a onda refletida interfere no sinal obtido entre os receptores e transmissores de ondas de rádio, televisão e micro-ondas.
Trata-se de uma iniciativa muito importante para o Estado de Sergipe, principalmente para contribuir para o desenvolvimento sustentável brasileiro.  Eliminar as chamadas “desvantagens competitivas sistêmicas” depende também de investimentos em infraestrutura e em alternativas energéticas menos poluentes e, nesse sentido, o poder público sergipano exerce um papel muito importante para o desenvolvimento local. Entretanto, para que iniciativas como essa resultem em desenvolvimento e de maneira sustentável, devem ser levadas em conta as três variáveis mais importantes exigidas no mercado globalizado: 1 – a econômica através da viabilidade para os investimentos; 2 – a ambiental levando em consideração os possíveis impactos negativos ao meio e os instrumentos de mitigação utilizados; e 3 – a social, através da análise dos benefícios sociais trazidos pelo empreendimento.

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