Mauricio Cajazeira
Com as
mudanças percebidas na natureza das organizações, reflexo das mudanças também
ocorridas na economia mundial, um novo referencial inovador surge como
necessário na gestão dos negócios para poder compreender e tratar as novas
realidades. Essas transformações, caracterizadas como políticas e econômicas
globais enfatizam as significativas mudanças no ambiente das empresas. Surgem
pressões “insuportáveis” na forma de gerenciamento ambiental e responsabilidade
social das organizações juntamente com exigências de qualidade e postura ética
cada vez maior dos consumidores de produtos e serviços (mercados verdes e
produtos ecologicamente corretos), que resultam na obtenção de menores margens
de lucros.
A
mudança acentuada nos mercados tradicionais traz como essência o encolhimento
ou a intensificação do processo de competição entre as empresas. Novos
empresários, executivos e trabalhadores, fortalecidos e autônomos, agrupados em
torno de equipes e livres do tradicional conceito de hierarquia, comando e
controle são exigidos nesse novo modelo, surgindo para estes, oportunidades sem
precedentes se estiverem dispostos a desfrutar de novos mercados.
Acaba a
“segurança” excessiva dos gestores das organizações com suas posições
competitivas asseguradas e a consequente confiança em relação às suas parcelas
de mercado. Um novo ambiente competitivo global está surgindo, desintegrando as
barreiras de acesso a mercados anteriormente monopolizados, organizados e protegidos.
O gosto
dos consumidores é influenciado pela marca que é tida como fator
importantíssimo para sucesso de uma empresa, entretanto, a marca sozinha não
garante a manutenção dos talentos na empresa. Antes, os melhores profissionais
eram mantidos pela imagem da empresa, pela tradição e liderança no mercado.
Hoje, os profissionais querem saber se a empresa oferece oportunidade de
crescimento, desafios, plano de carreira e ambiente de trabalho saudável. As
inúmeras transformações que o mercado de trabalho vive, traz como consequência
uma radical reestruturação das organizações, ou seja, surge um novo formato de
empresas com um núcleo central composto por executivos e colaboradores
especializados e um grupo de pessoal em tempo integral que tende a diminuir a
quantidade. Estes devem atender à expectativa de serem adaptáveis, flexíveis e,
se for necessário, móveis. Usufruem de maior segurança no emprego, boas
perspectivas de crescimento, de qualificação e de vantajosos benefícios.
O
pessoal dos setores administrativo e financeiro, juntamente com o pessoal das
áreas de trabalho rotineiro e de trabalho manual menos especializado possuem
habilidades facilmente disponíveis no mercado de trabalho e, por isso, esse
grupo tende a se caracterizar por uma alta taxa de rotatividade, o que torna as
reduções da força de trabalho relativamente fáceis em função de um desgaste
natural. Já o pessoal que oferece uma flexibilidade numérica maior (com
contrato por tempo determinado), tem menos segurança que o primeiro grupo periférico.
Para os próximos anos, as tendências sinalizam para um crescimento
significativo destes grupos.
Setores
de produção novos, novos serviços financeiros, taxas intensificadas com uma
maior flexibilidade em seus padrões de consumo, em seus processos de trabalho e
em seus produtos com acentuados reflexos na gestão de pessoas, caracterizam o
confronto direto com a antiga rigidez dos processos. As empresas tendem a
subcontratar externamente atividades anteriormente realizadas internamente. Com
isso, surgem novas micro e pequenas que passam a ser terceirizadas pelas
empresas de médio e grande porte. E estas novas empresas, como subcontratadas
devem preservar a postura social e ambientalmente correta das suas contratantes
para não afetar diretamente a imagem da organização contratante pelo
comportamento ambiental e social junto a seus clientes consumidores tanto em
termos de produtos ambientalmente reconhecidos como em termos de comportamento
social.
Esse
novo cenário exige das empresas mais valorização do capital humano que o
capital tradicional. Trata-se da era da economia digital baseada mais no
cérebro do que nos outros recursos (físicos, materiais, inovações e vantagens
competitivas) que passam a ser transitórios em menor espaço de tempo.
Esse processo de mudanças induz à criação de novos
negócios de caráter econômico, cultural, social e tecnológico, principalmente
considerando a redução do tamanho das organizações, através do repasse de
grande parte de suas atividades para empresas subcontratadas. O surgimento
dessas novas empresas aliado ao uso de novas tecnologias e ao novo contexto da
responsabilidade social e da gestão ambiental tende a, virtualmente, ampliar as
fronteiras das organizações. Esse comportamento chama a atenção para o
surgimento de um novo tipo de relacionamento entre a organização e seus
clientes, fornecedores e demais instituições em seu ambiente de atuação (stakeholders) e essa ampliação das
fronteiras passa a acontecer em função de:
I – questões socioambientais;
II – parcerias e alianças estratégicas entre organizações;
III – tecnologias da informação.
A gestão das empresas avança para dentro das empresas que contrata como fornecedores, ou seja, essa ampliação das fronteiras organizacionais tem como reflexo fazer a organização escolher fornecedores que atendam a seus requisitos éticos e que atestem que os insumos produtivos contratados atendam a seus requisitos ambientais, predefinidos em sua política organizacional caracterizando em uma relação de parceria.
Estas parcerias surgem inclusive entre empresas concorrentes num modelo de cooperação que possibilite ganhos e benefícios comuns (normalmente parcerias de escala ou tecnológicas). A inovação introduzida por uma organização afetará as demais organizações concorrentes através da mudança do seu market share. A cooperação entre concorrentes resultará em novos produtos e serviços sem a criação física de novas empresas ou mesmo departamentos.
Os novos tempos exigem dos gestores um direcionamento para a integração horizontal e vertical inter-organizacional, tendo como característica a interação com os stakeholders externos na forma de parcerias e alianças estratégicas, ou seja, a tendência é a definição do seu core business e o interesse pela terceirização. Do lado dos consumidores, a característica é de postura rígida voltada à expectativa de interagir com organizações que sejam éticas, com boa imagem institucional no mercado e com atuação ecologicamente responsável. Assim, a dimensão da gestão ambiental e da responsabilidade social para a moderna administração das organizações é considerada como um dos principais caminhos para a solução dos mais graves problemas que atualmente afligem o mundo moderno.

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