Maurício Cajazeira
O processo de valorização real do salário mínimo, aliado à ampliação das fronteiras de expansão dos programas sociais, motivou o crescimento e o fortalecimento da demanda no Nordeste nos últimos anos. Entretanto, esse comportamento da economia nordestina não ocorreu de forma isolada nem particular, ou seja, não foi diferente do que ocorreu no resto do Brasil. A produção sofreu impacto positivo da crescente demanda o que pode ser observado com o boom em algumas regiões nordestinas produtoras de commodities. Um país que apresenta um aquecimento em sua economia traz reflexos bastante positivos em alguns setores importantes, a exemplo do aumento da quantidade e preços mais competitivos das exportações.
Em economias como a do Brasil onde os principais desafios são uma melhor distribuição de renda aliada à redução dos índices de pobreza, um aquecimento em seu ciclo econômico representa uma maior capacidade de arrecadação do governo federal para financiar políticas sociais e isso é o que estamos acompanhando com os programas apresentados pelo governo (bolsa família, bolsa carinhoso, etc).
A sustentabilidade no crescimento da Região Nordeste depende, principalmente, do aumento do investimento e da produtividade, que representam:
I – Ampliar o investimento em capital humano através da educação (no longo prazo);
II – Ampliar o investimento e dar mais ênfase às políticas de qualificação e treinamento da mão-de-obra (no curto prazo).
A industrialização do Nordeste nos últimos 15 anos teve como características principais o baixo custo da mão-de-obra nos setores mais expressivos em trabalho (indústria alimentícia, de confecção, etc.), e a busca por incentivos fiscais mais representativos. Com um salário mínimo de R$ 622 (R$ 678 a partir de jan/2013), a mão-de-obra nordestina não possui mais o atrativo do baixo custo, pois com todos os encargos sociais passa a representar, por trabalhador, cerca de R$ 1.200. Como os incentivos fiscais estão sendo controlados e o baixo custo da mão-de-obra deixou de existir, o baixo custo das empresas instaladas no Nordeste não representa mais uma vantagem competitiva na atração de novos investimentos.
No curto prazo, acabar com incentivos fiscais e financeiros dificulta sim o desenvolvimento do Nordeste e isso pode ser facilmente entendido se analisarmos a instalação da FIAT em Pernambuco e da FORD na Bahia, pois, sem os incentivos que foram disponibilizados a esses grupos, dificilmente esses estados teriam recebido os investimentos que foram direcionados aos empreendimentos, pois, o principal mercado consumidor dos produtos dessas empresas não está em Pernambuco nem na Bahia, e, da mesma forma, a necessária rede de fornecedores que também representou investimentos na região.
Assim, o fim dos incentivos vem, com certeza, exigir da região Nordeste, uma mudança em seu modelo de desenvolvimento, necessitando maior ênfase às regiões que possuem vantagens comparativas peculiares (a exemplo do turismo) e direcionando investimentos maiores na qualidade da mão-de-obra e na educação.

Gostei e muito dessa postagem, bastante interessante. Essa ênfase com relação a região nordestina levanta vários pontos principalmente com relação ao preconceito que as outras regiões há com o mesmo, ou seja, o nordeste está ganhando um espaço no mundo.
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