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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Crise no Brasil: O que aconteceu? Qual o cenário atual? O que pode acontecer?

Maurício Cajazeira

Os chamados ciclos econômicos no Brasil podem ser mais bem entendidos se forem analisadas duas variáveis importantes: confiança e expansão do crédito bancário. Em 2008 os bancos privados brasileiros tiveram um comportamento “cauteloso” em relação ao crédito. Esta situação permaneceu em 2009 com a desaceleração da economia brasileira. Após este período, uma nova matriz econômica passou a utilizar os bancos públicos como indutores do crescimento, através da disposição de empréstimos a juros subsidiados, tendo como resultado um retorno do crescimento da economia. Assim, os bancos privados brasileiros utilizando de uma política do crédito de caráter expansionista contribuíram positivamente para acelerar o ritmo do crescimento (PIB 7,5%). Para estimular ainda mais o consumo e a produção, foram utilizados subsídios governamentais (redução de impostos). Em 2012, o cenário de crescimento da demanda resultou em pressão sobre os preços, iniciando assim, um processo de desaceleração, inadimplência alta (endividamento alto das famílias e empresas), com os bancos privados voltando a utilizar de política restritiva enquanto os bancos públicos mantinham a política de crédito subsidiado. Entre 2013 e 2014 o cenário era de manutenção das tarifas públicas, desaceleração do crescimento, elevação dos índices de desemprego, crise na Petrobrás, crise estabelecida na economia brasileira. Em 2015, ocorre o agravamento da crise e o Brasil entra em um processo de recessão da economia com o investimento, o consumo e os serviços apresentando a maior queda desde a década de 1990. A turbulência política afetou praticamente todos os setores da atividade econômica (principalmente a construção civil, o comércio, etc.). A crise vivenciada até os dias atuais apresenta características semelhantes e diferentes em relação ao período de crise internacional (2008-2009) (diferença: naquele período o consumo das famílias não tinha sido tão fortemente afetado):
·         Investimentos: pior resultado desde 1996;
·         Consumo das famílias: desempenho negativo impactado (inflação, juros, crédito, emprego e renda);
·         Indústria: maior queda desde 2009;
·         Serviços: maior queda desde 1996;
·         Poupança: nunca houve tanto saque;
·         Arrecadação: todos os impostos tiveram impacto negativo;
·         Setor externo: queda das importações e alta das exportações (reflexo positivo).

      Sobre o atual cenário econômico, com o afastamento da Presidente da República, assumiu interinamente o Vice-presidente. Considerando a representatividade numérica dos votos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, a expectativa do mercado é de que o governo interino não encontre dificuldades em implementar um ciclo monetário mais expansionista. Se o governo interino conseguir resolver o desajuste fiscal através das reformas trabalhista, previdenciária, tributária e administrativa, ceteris paribus, o Brasil poderá vivenciar até um momento de redução da taxa Selic em médio prazo (2018). Mas, se as coisas não se confirmarem acerca da implementação efetiva das reformas estruturais (fazendo-as apenas parcialmente), a expectativa, mesmo também sendo de queda dos juros, será de menor expressão. Entretanto, para recuperar a confiança do mercado, principalmente dos investidores, torna-se fundamental um Brasil mais disciplinado na área fiscal de maneira a possibilitar expectativas mais favoráveis no horizonte dos resultados.

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