Maurício Cajazeira
Está tudo muito complicado no ambiente econômico
brasileiro no 1º semestre de 2013. O mercado de câmbio, conforme esperado,
começa a mudar seu comportamento de calmaria e os protestos inesperados
ganharam as ruas do país. O problema está no “modelo” de sustentação econômica
utilizado. O processo de globalização tornou as economias mais sensíveis
a variações no mercado externo.
Inicialmente, no caso do Brasil, com o aquecimento do ciclo econômico, impulsionado fortemente pelo comportamento da“nova classe C”, o número de fusões e investimentos de empresas de capital estrangeiro no mercado interno representou certo “fortalecimento” da oferta para atendimento a uma demanda que, naquele momento, garantia ao país não sofrer os reflexos das crises americana e europeia. Para a continuidade desse processo, vimos a queda dos juros e a maior oferta do crédito, que, somados à redução de impostos de alguns produtos, acabaram por contribuir para o surgimento dos primeiros sinais inflacionários. Hoje, o país enfrenta o problema das chamadas desvantagens competitivas sistêmicas (elevação das taxas de juros, inflação, falta de infraestrutura, elevada carga tributária, etc.) tornando a economia brasileira menos atraente ao investimento externo, principalmente pela incerteza em relação à definição e eficiência das políticas (aumenta os juros por um lado e estimula o consumo por outro, altos índices de arrecadação e infraestrutura de serviços públicos ineficiente).
Acreditava-se que a manutenção dos juros em níveis mais baixos resultaria numa movimentação de estímulo ao investimento e, assim, a economia suportaria o crescimento da demanda sem pressões inflacionárias significativas, mas, na prática, o que vimos foi diferente disso. Mesmo crescendo a níveis baixos e prejudicando as contas externas, os juros voltaram a subir e este cenário não deve mudar, pois com a tendência natural de valorização do real, os juros tendem a subir ainda mais, para evitar reflexos inflacionários maiores. Além disso, a decisão americana de modificar o seu comportamento em relação à liquidez praticada nos últimos anos, só agravou todo o processo.
O mais preocupante deste cenário é o excesso de medidas governamentais que não sustentam nem atendem à necessidade de“apagar o incêndio” que habita a economia brasileira, caracterizando a política econômica como impotente frente aos problemas que surgem. A redução das receitas públicas por meio de desonerações e isenções só reforçam o cenário negativo, principalmente pela incapacidade de estimular a demanda. No momento, a equipe econômica do governo Dilma tenta modificar o modelo utilizado pelos governos FHC (inaugurou a utilização do modelo em 1999) e Lula (manteve o mesmo modelo utilizado por FHC) para dar sustentação à economia que considerava: meta de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante. Agora, o novo modelo leva em consideração também o importante investimento externo. Entretanto, com a inexistência de saldos comerciais positivos que venham a suprimir os déficits em conta corrente juntamente com a falta de investimentos externos esse modelo não fará milagres.
O governo Lula conseguiu manter o câmbio valorizado e o país crescendo por influência da valorização na cotação das chamadas commodities básicas e uma significativa liquidez internacional estimulando a demanda interna sem motivar a inflação. Mas não conseguiu otimizar os resultados econômicos o suficiente para evitar a redução do crescimento, a valorização do real e o incômodo da inflação, evidenciando também a “assombração” das crises cambiais. No governo Dilma, o resultado disso, é a predominância da incerteza e da insegurança no resultado das ações de política econômica, com a sociedade indo às ruas protestando e questionando esse modelo de forte arrecadação e ineficiência das ações de política juntamente com a pouca qualidade da infraestrutura e dos serviços públicos. Assim, o momento exige uma reavaliação no papel e na atuação dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), sendo urgente a discussão (com a participação da sociedade) sobre as mudanças necessárias para a sustentabilidade econômica e social brasileira.
Inicialmente, no caso do Brasil, com o aquecimento do ciclo econômico, impulsionado fortemente pelo comportamento da“nova classe C”, o número de fusões e investimentos de empresas de capital estrangeiro no mercado interno representou certo “fortalecimento” da oferta para atendimento a uma demanda que, naquele momento, garantia ao país não sofrer os reflexos das crises americana e europeia. Para a continuidade desse processo, vimos a queda dos juros e a maior oferta do crédito, que, somados à redução de impostos de alguns produtos, acabaram por contribuir para o surgimento dos primeiros sinais inflacionários. Hoje, o país enfrenta o problema das chamadas desvantagens competitivas sistêmicas (elevação das taxas de juros, inflação, falta de infraestrutura, elevada carga tributária, etc.) tornando a economia brasileira menos atraente ao investimento externo, principalmente pela incerteza em relação à definição e eficiência das políticas (aumenta os juros por um lado e estimula o consumo por outro, altos índices de arrecadação e infraestrutura de serviços públicos ineficiente).
Acreditava-se que a manutenção dos juros em níveis mais baixos resultaria numa movimentação de estímulo ao investimento e, assim, a economia suportaria o crescimento da demanda sem pressões inflacionárias significativas, mas, na prática, o que vimos foi diferente disso. Mesmo crescendo a níveis baixos e prejudicando as contas externas, os juros voltaram a subir e este cenário não deve mudar, pois com a tendência natural de valorização do real, os juros tendem a subir ainda mais, para evitar reflexos inflacionários maiores. Além disso, a decisão americana de modificar o seu comportamento em relação à liquidez praticada nos últimos anos, só agravou todo o processo.
O mais preocupante deste cenário é o excesso de medidas governamentais que não sustentam nem atendem à necessidade de“apagar o incêndio” que habita a economia brasileira, caracterizando a política econômica como impotente frente aos problemas que surgem. A redução das receitas públicas por meio de desonerações e isenções só reforçam o cenário negativo, principalmente pela incapacidade de estimular a demanda. No momento, a equipe econômica do governo Dilma tenta modificar o modelo utilizado pelos governos FHC (inaugurou a utilização do modelo em 1999) e Lula (manteve o mesmo modelo utilizado por FHC) para dar sustentação à economia que considerava: meta de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante. Agora, o novo modelo leva em consideração também o importante investimento externo. Entretanto, com a inexistência de saldos comerciais positivos que venham a suprimir os déficits em conta corrente juntamente com a falta de investimentos externos esse modelo não fará milagres.
O governo Lula conseguiu manter o câmbio valorizado e o país crescendo por influência da valorização na cotação das chamadas commodities básicas e uma significativa liquidez internacional estimulando a demanda interna sem motivar a inflação. Mas não conseguiu otimizar os resultados econômicos o suficiente para evitar a redução do crescimento, a valorização do real e o incômodo da inflação, evidenciando também a “assombração” das crises cambiais. No governo Dilma, o resultado disso, é a predominância da incerteza e da insegurança no resultado das ações de política econômica, com a sociedade indo às ruas protestando e questionando esse modelo de forte arrecadação e ineficiência das ações de política juntamente com a pouca qualidade da infraestrutura e dos serviços públicos. Assim, o momento exige uma reavaliação no papel e na atuação dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), sendo urgente a discussão (com a participação da sociedade) sobre as mudanças necessárias para a sustentabilidade econômica e social brasileira.

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