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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O Brasil e a Recuperação da Economia

Maurício Cajazeira

              A recuperação da economia brasileira começa a ser entendida como certa mas, criando uma expectativa de médio e longo prazos para o país voltar a falar em crescimento, emprego e renda. Alguns problemas devem ser considerados por um país que passa por uma recessão longa como essa onde existem profissionais desempregados já a mais de dois anos, resultante do fechamento de empresas e do enxugamento de outras na luta pela "sobrevivência" no mercado. O ritmo lento apresentado pelo processo de "desinflação" reflete claramente a cautela e a insegurança do mercado sinalizando baixo crescimento também em 2017. Essa lentidão acaba por exigir um comportamento do Banco Central também extremamente cauteloso, reduzindo a taxa de juros em doses "homeopáticas", não acontecendo a queda na taxa de juros esperada pelo mercado.
 
            O desafio do atual governo é sinalizar para os investidores estrangeiros, através da agenda de reformas, um modelo de estabilidade das regras e retomada dos investimentos. Considerando a insustentável trajetória da dívida bruta, a política fiscal surge como o grande desafio da economia brasileira, pois, aprovar mudanças constitucionais não é fácil e a difícil batalha da previdência exige uma discussão ampla por impactar diretamente na vida das pessoas.
 
            É importante considerar que não adianta apenas estimular a atividade industrial. Para que a economia volte a acelerar é importante também crescer a movimentação no setor de serviços, mas essa é uma tarefa quase impossível com a redução das despesas por parte do governo e com o atual nível de consumo das famílias. Sem perspectivas externas maiores que possam estimular a indústria, o caminho mais curto seria estimular a demanda interna, mas quando falamos em estímulo à demanda interna não podemos deixar de lado um importante instrumento: o crédito e esse, no momento, encontra-se com as "portas fechadas".
 
            Para 2017 a expectativa é que, a partir do segundo semestre, a taxa de desemprego comece a recuar de maneira acanhada e isso, mesmo não sendo maravilhoso, será um bom sinal e espera-se também que esse comportamento continue até 2018. Para 2018, espera-se um PIB melhor mas ainda baixo (cerca de 2%), mas, com índices de desemprego melhores e início de recuperação da confiança dos investidores. Esse cenário poderá mudar e para melhor se a política econômica de Trump nos EUA trouxer benefícios indiretos ao Brasil, pois, as exportações brasileiras poderão ser estimuladas a partir da valorização do dólar. Estas expectativas se confirmarão ceteris paribus. Caso contrário, acontecendo algum fato relevante e determinante, a economia brasileira poderá acelerar ou retardar ainda mais o seu processo de recuperação.
 
 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Importância da Eficiente Gestão Empresarial

Maurício Cajazeira
 
 
A aplicação de políticas internas, estratégicas e as ações necessárias para o melhor funcionamento das áreas de uma organização caracterizam o que chamamos de gestão empresarial. O foco principal é a harmonização da atividade empresarial agregando riqueza aos acionistas e colaboradores, demonstrando de maneira transparente os objetivos sociais da organização na busca pela continuidade do negócio.
 
O alcance do "crescimento ordenado" e dos objetivos da sociedade depende da construção de um modelo de gestão empresarial com reflexos positivos significativos intra e extra-organização, impactando os principais stakeholders. Novas estratégias e ações devem ser de fácil entendimento para todos os colaboradores, pois, estes, principalmente os ocupantes de cargos de diretoria e gerência, são essenciais para um eficiente modelo de gestão.
 
A moderna administração das organizações exige uma crescente preocupação com as necessidades do mercado em que atua, através de um modelo de gestão empresarial atualizado e consistente, tornando a empresa mais competitiva frente a concorrência, mais preparada para atender às atuais exigências fiscais e tributárias e mais confiável e respeitada para seus parceiros. Assim, para transformar crise em oportunidade, dificuldade em crescimento e desafio em meta, é fundamental exercitar a essência da administração empresarial: tomar as melhores decisões. E, para isso, seu modelo de gestão empresarial deve contribuir para potancializar vantagens competitivas, através da antecipação de estados futuros. Administrar é decidir!

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Crise no Brasil: O que aconteceu? Qual o cenário atual? O que pode acontecer?

Maurício Cajazeira

Os chamados ciclos econômicos no Brasil podem ser mais bem entendidos se forem analisadas duas variáveis importantes: confiança e expansão do crédito bancário. Em 2008 os bancos privados brasileiros tiveram um comportamento “cauteloso” em relação ao crédito. Esta situação permaneceu em 2009 com a desaceleração da economia brasileira. Após este período, uma nova matriz econômica passou a utilizar os bancos públicos como indutores do crescimento, através da disposição de empréstimos a juros subsidiados, tendo como resultado um retorno do crescimento da economia. Assim, os bancos privados brasileiros utilizando de uma política do crédito de caráter expansionista contribuíram positivamente para acelerar o ritmo do crescimento (PIB 7,5%). Para estimular ainda mais o consumo e a produção, foram utilizados subsídios governamentais (redução de impostos). Em 2012, o cenário de crescimento da demanda resultou em pressão sobre os preços, iniciando assim, um processo de desaceleração, inadimplência alta (endividamento alto das famílias e empresas), com os bancos privados voltando a utilizar de política restritiva enquanto os bancos públicos mantinham a política de crédito subsidiado. Entre 2013 e 2014 o cenário era de manutenção das tarifas públicas, desaceleração do crescimento, elevação dos índices de desemprego, crise na Petrobrás, crise estabelecida na economia brasileira. Em 2015, ocorre o agravamento da crise e o Brasil entra em um processo de recessão da economia com o investimento, o consumo e os serviços apresentando a maior queda desde a década de 1990. A turbulência política afetou praticamente todos os setores da atividade econômica (principalmente a construção civil, o comércio, etc.). A crise vivenciada até os dias atuais apresenta características semelhantes e diferentes em relação ao período de crise internacional (2008-2009) (diferença: naquele período o consumo das famílias não tinha sido tão fortemente afetado):
·         Investimentos: pior resultado desde 1996;
·         Consumo das famílias: desempenho negativo impactado (inflação, juros, crédito, emprego e renda);
·         Indústria: maior queda desde 2009;
·         Serviços: maior queda desde 1996;
·         Poupança: nunca houve tanto saque;
·         Arrecadação: todos os impostos tiveram impacto negativo;
·         Setor externo: queda das importações e alta das exportações (reflexo positivo).

      Sobre o atual cenário econômico, com o afastamento da Presidente da República, assumiu interinamente o Vice-presidente. Considerando a representatividade numérica dos votos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, a expectativa do mercado é de que o governo interino não encontre dificuldades em implementar um ciclo monetário mais expansionista. Se o governo interino conseguir resolver o desajuste fiscal através das reformas trabalhista, previdenciária, tributária e administrativa, ceteris paribus, o Brasil poderá vivenciar até um momento de redução da taxa Selic em médio prazo (2018). Mas, se as coisas não se confirmarem acerca da implementação efetiva das reformas estruturais (fazendo-as apenas parcialmente), a expectativa, mesmo também sendo de queda dos juros, será de menor expressão. Entretanto, para recuperar a confiança do mercado, principalmente dos investidores, torna-se fundamental um Brasil mais disciplinado na área fiscal de maneira a possibilitar expectativas mais favoráveis no horizonte dos resultados.